Uma secretária de 40 anos procurou o Folha do Sul On-Line na tarde de ontem (29) para denunciar o atendimento médico prestado à filha dela, uma menina de apenas 12 anos, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Vilhena.
Segundo o relato da mãe, no dia 22 de outubro de 2025, a criança foi levada à unidade chorando e gritando de dor, afirmando sentir um “bicho dentro do ouvido”, que já apresentava sinais de inflamação.
De acordo com a denunciante, após examinar a paciente, o médico de plantão teria afirmado que “não havia inseto ou qualquer outro corpo estranho” no ouvido da menina. Em seguida, prescreveu Amoxilina 500 mg e Ibuprofeno, liberando a criança sem solicitar exames complementares nem encaminhamento especializado.
Nos dias seguintes, a pré-adolescente apresentou febre alta, dor intensa e mau cheiro no ouvido, o que aumentou a preocupação da família. Diante da piora do quadro, a mãe levou a filha a um médico otorrinolaringologista, que constatou a presença de um inseto vivo dentro do ouvido da menina — o mesmo que, segundo a mãe, havia sido ignorado no atendimento da UPA.
“A dor e o sofrimento da minha filha poderiam ter sido evitados se houvesse atenção adequada e avaliação criteriosa por parte do profissional responsável”, disse a mãe em entrevista ao Folha do Sul.
Ela afirmou ainda que decidiu procurar a imprensa para evitar que outras famílias passem por situações semelhantes.
“Peço que este caso seja divulgado para que as autoridades competentes tomem providências quanto à conduta do profissional e às condições de atendimento na unidade”, acrescentou.
A família informou que está à disposição para apresentar laudos médicos e comprovantes do ocorrido. As acusações foram encaminhadas ao Grupo Chavantes, responsável pelo atendimento na UPA, no Instituto do Rim e no Hospital Regional de Vilhena.
A foto usada nesta reportagem mostra o inseto retirado do ouvido da paciente.
Nota de Esclarecimento – Grupo Chavantes
Em relação ao atendimento da paciente de 12 anos ocorrido na noite de 22 de outubro de 2025, na UPA de Vilhena, o Grupo Chavantes enviou nota ao Folha do Sul On-Line esclarecendo os fatos e reafirmando seu compromisso com a ética e a segurança assistencial.
Segundo a instituição, a menina foi atendida na sala vermelha, destinada a casos graves, e passou por exame otoscópico completo. O médico constatou grande quantidade de cerume escuro, membrana timpânica abaulada e sinais inflamatórios, o que teria dificultado a visualização do canal auditivo.
“Forçar o canal naquele momento poderia agravar o quadro clínico da paciente”, diz a nota.
Ainda conforme o comunicado, não foi possível identificar corpo estranho visível, e por isso o profissional prescreveu antibiótico, anti-inflamatório e analgésico para tratar um quadro compatível com otite média aguda.
O Grupo afirmou que a família foi orientada a retornar à UPA caso houvesse persistência dos sintomas e explicou que, possivelmente, o canal desinchou após o uso do antibiótico, o que permitiu ao especialista posterior visualizar o inseto.
“Lamentamos profundamente o sofrimento da paciente e compreendemos a angústia da família. Reiteramos que não há qualquer indício de negligência médica ou falha por parte da equipe. O atendimento seguiu os protocolos clínicos vigentes, com conduta compatível com o quadro apresentado naquele momento”, finaliza o texto.
O Grupo Chavantes informou ainda que abrirá uma sindicância para apurar os fatos de forma criteriosa.

📍Fonte: Folha do Sul On-Line

